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Taxa de câmbio e a competitividade

Real desvalorizado afeta diretamente as indústrias, seja com aumento dos custos de produção de alguns setores, seja com estímulo às vendas externas de outros

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por Evânio Felippe*

Numa comparação simples entre o período que vai de janeiro a setembro deste ano com igual intervalo de 2020, o valor médio da taxa de câmbio no Brasil teve uma variação para cima de 5,1%, ou seja, ficou mais caro comprar dólar aqui. O que significa dizer que o real teve desvalorização em relação à moeda americana. Parece pouco, mas qualquer alta ou queda na taxa de câmbio, uma das principais variáveis da atividade econômica, tem impacto direto na atividade produtiva e na vida das pessoas.

Para a indústria, esse é um componente que tem duas faces. Por um lado, o câmbio depreciado (desvalorizado) afeta diretamente as operações nas indústrias. Isso ocorre porque muitos insumos utilizados na fabricação de produtos são importados e, portanto, cotados em dólar. Quando a moeda sobe, o custo de produção fica mais elevado. Para o empresário não perder competitividade no mercado, nem sempre esse aumento pode ser repassado integralmente aos clientes. Com lucro menor, a capacidade de fazer investimentos e de gerar empregos também fica comprometida.

Com o dólar cotado atualmente em torno dos R$ 5,5794**, alguns setores são mais afetados do que outros. O automotivo, por exemplo, tem aumento nos custos de produção, já que 60% das peças e acessórios utilizados nas linhas de montagem são importados. Quando não há nada previamente estabelecido em contrato, a conversão da moeda nas transações é feita seguindo a cotação do dia. Uma encomenda feita com antecedência, por um preço bom, pode passar a ser um mau negócio se houver alta repentina da taxa de câmbio no intervalo entre o período da compra dos produtos até o desembarque no Brasil. Uma peça que custa US$ 100, por exemplo, e demora alguns dias para chegar, numa súbita alta do dólar a conversão da moeda no valor do dia pode encarecer o produto e inviabilizar o negócio, gerando prejuízo.

O problema, como se observa, além do valor da taxa em si, é a forte oscilação para cima ou para baixo. E é muito difícil prever essa variabilidade da taxa. Muitos fatores podem influenciar a flutuação, como o comportamento do mercado financeiro, a taxa de juros (Selic) praticada no país e até aspectos políticos, entre outros.

Aqui vale uma ressalva. Mesmo segmentos da indústria que não utilizam recursos importados podem sofrer as consequências do câmbio depreciado. O de carnes, por exemplo. Muitos insumos utilizados na alimentação dos animais são cotados em dólar. Com a moeda nacional desvalorizada, o custo de produção aumenta consideravelmente.

Além disso, uma moeda mais forte favorece a compra de produtos de outras economias (importações) e tanto empresas quanto a população têm acesso a uma gama maior de bens e serviços produzidos no exterior. Há, portanto, um aumento na concorrência entre mercadorias e serviços brasileiros com produtos importados, o que é bom para o consumidor, mas não tão bom para o produtor porque limita a concorrência da indústria nacional no mercado mundial. A taxa de câmbio valorizada abre brechas para que empresas brasileiras que fabricam produtos similares aos oferecidos no exterior sofram forte concorrência e tenham sua capacidade de ajustar preços reduzida no caso de uma variação significativa nos custos de produção. O fomento da importação estimula a geração de empregos e riquezas fora, nos mercados onde o Brasil compra produtos.

Por outro lado, essa política de valorização do dólar frente ao real também pode favorecer a indústria nacional e o crescimento econômico. Embora iniba as importações, ela estimula as vendas externas e torna o produto brasileiro mais competitivo, aumentando a produção nas fábricas. Para dar conta da demanda, as indústrias tendem a contratar mais trabalhadores, gerando emprego e renda no país. Com mais recursos circulando na economia, a atividade de consumo cresce e toda a cadeia produtiva local se beneficia. Isso tem efeito tanto para a atividade extrativa e para a agroindústria quanto para setores da indústria de transformação, como os de carnes, madeira, automotivo, celulose e papel, entre outros.

Por tudo isso, percebe-se que o valor da taxa de câmbio é fundamental para a economia. Num breve resgate histórico de avaliação do crescimento da economia mundial, não há registro de nenhum país industrializado que tenha abdicado de utilizá-la como mecanismo de incentivo à economia. A China, por exemplo, que é a economia que mais cresce no mundo, tem como premissa de seu planejamento econômico uma taxa de câmbio depreciada.

O ideal, portanto, é que tanto para estimular a economia quanto para não encarecer demais os custos de produção, a taxa de câmbio opere numa faixa em que não prejudique a competitividade e, ao mesmo tempo, alavanque negócios dentro e fora do país.

*Evânio Felippe é economista da Fiep

** Cotação de 26 de outubro de 2021

No centro do Paraná

Conheça a unidade da Capital da Cevada e do Malte, que também integra o Corredor do Mercosul

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por Patrícia Gomes

Foto: Prefeitura de Guarapuava

Não apenas por sua localização geograficamente estratégica, mas por sua importância econômica e cultural, Guarapuava, que significa “lugar do barulho dos lobos-guarás”, é uma cidade extremamente relevante para a indústria do Paraná. O município responde atualmente por 40% da produção de cevada do Brasil e faz parte também de um entroncamento rodoferroviário de importância nacional denominado Corredor do Mercosul, entre os municípios de Foz do Iguaçu e Curitiba. A cidade é conhecida ainda por sua diversidade étnica, formada por quilombo e diversas reservas indígenas, além de imigrantes portugueses, espanhóis, italianos, poloneses, alemães, sérvios, croatas e ucranianos.

A vocação industrial da cidade tem forte atuação no setor madeireiro, de celulose e papel, químico, de bebidas e produtos alimentícios, incluindo agroindústrias e grandes cooperativas. O município preserva ainda a tradição no cultivo e produção de erva-mate.

Para atender este potencial, o Sistema Fiep iniciou sua atuação por iniciativa de empresários locais em 1981, com a inauguração da Delegacia Regional da Fiep. A primeira sede foi um imóvel cedido pela Prefeitura Municipal de Guarapuava. Na época funcionaram também o IEL, Sesi e Senai. A atividade abrangia os municípios de Laranjeiras do Sul, Pitanga, Cantagalo, Pinhão, Turvo e Palmital. Atualmente, o Sistema Fiep atende 21 municípios da região.

Em dezembro de 1988, foi inaugurada a sede atual, localizada no bairro Batel, em uma área de 10 mil metros quadrados, sendo mais de oito mil de área construída. A estrutura mantém 50 colaboradores que atendem a indústria da região nos mais diversos serviços.

Pelo Sesi, oferece soluções pelo Colégio Sesi da Indústria, Educação de Jovens e Adultos (EJA), Educação Continuada (ECO), serviços odontológicos e de Saúde e Segurança do Trabalho.

Laboratório de Elétrica Industrial

Já o Senai oferta cursos técnicos em Metalmecânica, Celulose e Papel, Eletrotécnica, Automação Industrial e Análise e Desenvolvimento de Sistemas, além dos cursos de qualificação e aperfeiçoamento nas áreas automotiva, metalmecânica, elétrica, panificação, normas regulamentadoras e gestão.

Com a indústria forte nas áreas madeira, reparação de automóveis e fabricação de papel, os cursos mais procurados também correspondem a estes segmentos. Entre as modalidades, estão de mecânico e eletricista de veículos leves, para o setor automotivo; técnico em eletrotécnica, eletricista industrial e de instalações prediais; de eletromecânica, torneiro mecânico, soldador e mecânica industrial; de desenvolvimento de sistemas e programas de informática básica; e na área de segurança do trabalho, de normas regulamentadoras voltadas ao atendimento das indústrias da região.

Laboratório de Mecânica de Veículos Leves

De acordo com o gerente da Unidade de Guarapuava, Paulo Sergio Lopes Zen, o mercado da Construção Civil está aquecido na cidade e, diante das necessidades de mão-de-obra qualificada, o Senai local também vai oferecer cursos para atender à demanda. “Estamos estruturando laboratórios de panificação e construção civil, que são dois novos nichos de mercado que pretendemos atender, porque temos uma demanda reprimida em Guarapuava com potencial para crescimento”, justifica.

“Até o fim de 2021, o Senai terá atendido mais de três mil alunos em qualificação profissional, cursos técnicos, aprendizagem industrial e aperfeiçoamento. Pelo Sesi, são 920 alunos matriculados no EJA e 188 no Ensino Médio. Cerca de 180 indústrias da região recebem atendimento de saúde e segurança o que contabiliza mais de 22 mil atendimentos por ano”, orgulha-se.

“Guarapuava é uma cidade que está crescendo e se modernizando. Nosso desafio é suprir a formação de mão de obra para as indústrias, assegurar os atendimentos de Segurança e Saúde Ocupacional com boa qualidade, elevar o grau de escolaridade dos trabalhadores e trazer inovação para as indústrias da região”, finaliza.

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Indústria audiovisual do Paraná figura entre as mais representativas do Brasil

Jussara Locatelli, nova presidente do Siapar, traz dados que reforçam a relevância do setor

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por Priscila Aguiar

Com 404 produtoras registradas na Ancine, o Paraná tem uma participação expressiva na indústria de audiovisual, sendo o quinto estado com o maior número de produtoras. O setor também é um grande empregador, já que gera trabalho tanto para quem atua na criação, produção e distribuição dos conteúdos audiovisuais, quanto para outros ramos que são impactados pela atividade. “É uma indústria com um faturamento de R$ 45 bilhões por ano, que gera 330 mil empregos e arrecada R$ 3,4 bilhões de impostos diretos e diretos. Além disso, envolve diversos setores, como as indústrias têxtil e de vestuário, os segmentos de alimentação, transporte, turismo, entre muitos outros”, conta Jussara Locatelli, presidente do Sindicato da Indústria Audiovisual do Paraná, o Siapar.

É uma indústria com um faturamento de R$ 45 bilhões por ano, que gera 330 mil empregos e arrecada R$ 3,4 bilhões de impostos diretos e indiretos.

Jussara Locatelli

Presidente do Siapar

Outro dado que a Jussara traz é o fato de o setor audiovisual, segundo o IBGE, ter gerado, entre 2015 e 2018, um valor adicionado de R$ 26,7 bilhões, superando indústrias como a farmacêutica (R$ 25,3 bilhões), a de eletrônicos e óticos (R$ 16,1 bilhões) e a de fabricação de produtos têxteis (R$ 14,7 bilhões). “Esses dados demonstram a representatividade da nossa área”, reforça. Por valor adicionado entende-se o “valor que a atividade acrescenta aos bens e serviços consumidos no seu processo produtivo”, de acordo com o IBGE.

Desafios e novas possibilidades

A pandemia do novo coronavírus trouxe desafios, mas também oportunidades. “Várias produções foram suspensas e ficávamos na expectativa em relação aos protocolos que deveriam ser seguidos. Por outro lado, nunca tivemos tanto consumo de conteúdos de streaming como na pandemia, o que demonstra a necessidade de estarmos em constante atualização”, conta. De acordo com uma pesquisa elaborada pela Kantar IBOPE Media, 98% dos usuários de internet consomem algum tipo de conteúdo via streaming de áudio ou vídeo e 73% afirmam que o consumo de streaming de vídeo (pago ou gratuito) aumentou após o início da atual crise.

Em meio a um cenário dinâmico, de constantes mudanças, o Siapar tem como desafio não só ter mais empresas do ramo envolvidas com as atividades do sindicato, como também ter maior representação por regiões do estado. Dentre os novos serviços propostos pela gestão está a prestação de serviços de consultoria técnica e operacional na elaboração de editais relacionados à produção e exibição audiovisual. Além disso, o sindicato incentiva a contratação de equipes paranaenses e fomenta o crescimento do mercado local de audiovisual. “O espaço reservado para exibição de produções brasileiras em canais de empresas internacionais ainda é muito pequeno, se comparado a outros países. É necessário que tenhamos mais visibilidade das produções locais”, comenta Jussara.

Para contribuir com o crescimento do setor, a entidade mantém parcerias – o Sistema Fiep é uma delas – e planeja a promoção de eventos de relacionamento, como o Dia do Empresário do Audiovisual, que deve acontecer na metade de outubro. O incentivo para a organização de uma Film Commission – que incentiva, facilita, apoia e simplifica os procedimentos para a produção audiovisual em áreas públicas – também deve impulsionar as ações do Siapar. “Conseguimos aprovar agora em setembro uma capacitação do Ministério da Economia (Brasil) / Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, e estamos incentivando a organização de Film Commission para Curitiba e Região Metropolitana”, conta a presidente. 

Sobre a nova presidente

Jussara Locatelli assumiu em maio a presidência do Sindicato da Indústria Audiovisual do Paraná, o Siapar. CEO da Realiza Vídeo, produtora de conteúdo que está desde 1991 no mercado, ela conhece bem os desafios do setor. À frente agora do sindicato, entidade na qual já atuou anteriormente como vice-presidente, Jussara pretende unir ainda mais o segmento. “Nossa gestão é colaborativa e queremos atrair cada vez mais produtoras para participar das nossas iniciativas”, explica.

Técnica em Telecomunicações, graduada em Educação e com especializações em Comunicação Audiovisual, Comunicação e Marketing, e Técnica de Desportos, é, ainda, diretora do Fórum Audiovisual Minas, Espírito Santo e Estados do Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande Sul). Representa o Paraná na BRAVI – Brasil Audiovisual Independente, faz parte da liderança do grupo + Mulheres, é membro da Sociedade de Engenharia de Televisão (SET), e atua no projeto de desenvolvimento da economia criativa para o setor audiovisual do Sebrae Paraná.

Conheça a gestão 2021-2023 do Siapar:

Diretoria

Presidente: Jussara Locatelli

Vice-presidente: Augustinho Pasko

1º secretário: Simone Ogassawara

2º secretário: Antonio Roberto Gonçalves Junior

1º tesoureiro: Guilherme Estevan Menezes Peraro

Conselho fiscal

Efetivos: Fernando Marcondes Macedo

Suplentes: Osmar Dei-Tos Correa da Silva e Eduardo Pereira Lubiazi

Delegados representantes

Suplentes: Laura Dias Dalcanale Pereira Alves e Rodrigo Rafael de Medeiros Martins

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Olhar para a linha de produção

Para presidente da empresa, programa alavanca as empresas com ganhos satisfatórios

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Por Mayara Duarte

Cláudio Grochowicz, diretor da Terra Rica Mineração, indústria e comércio de calcário e fertilizantes do solo, lembra sobre a participação no Brasil Mais. “Na primeira fase, de conhecimento da ferramenta, cerca de 30 pessoas da Terra Rica foram impactadas pelo projeto. Com a ajuda do pessoal do Senai, eles foram enxergando oportunidades sempre focando em redução de desperdícios, ganho de produtividade onde poderia se ter algum ponto de utilização da ferramenta”, esclarece.

Na empresa, foi estudado o ciclo de transporte e alterações no horário da usina de beneficiamento. “É um programa que traz tecnologia, alavanca as empresas com ganhos satisfatórios, então com certeza foi um tempo bem investido. Vale a pena se inscrever e aproveitar essa oportunidade, porque ela é realmente ímpar”, conclui o diretor.

Assista ao vídeo e veja como foi para a Terra Rica Mineração participar do Brasil Mais:

Sobre o programa

A iniciativa oferece às indústrias participantes a oportunidade de obter um aumento de produtividade na linha de produção, por meio de técnicas de produção enxuta. Neste ano, as indústrias associadas aos sindicatos filiados ao Sistema Fiep contarão com maior subsídio para participar do programa, o que reduzirá o custo do investimento pela metade. Por meio do programa, governo federal e Senai subsidiam 80% do valor e a empresa arca apenas com 20%, o equivalente a R$ 2.400. Já as indústrias associadas aos sindicatos filiados ao Sistema Fiep, R$ 950.

O Brasil Mais atende indústrias de diversos segmentos, que podem indicar até três colaboradores para participar dos treinamentos, das mentorias práticas e das consultorias no chão de fábrica. O investimento é acessível às empresas, mas é necessário que as indústrias interessadas tenham de 4 a 499 funcionários e CNAE industrial primário ou secundário.

As inscrições podem ser feitas no site do Senai no Paraná ou pelo e-mail brasilmaispr@sistemafiep.org.br .

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Mais produtividade e nova mentalidade

A Mineração São Judas foi uma das indústrias que também conquistou um aumento significativo de produtividade com o Brasil Mais.

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por Mayara Breda Duarte

“A Mineração São Judas teve e está tendo até agora uma produtividade superior a 20%. A equipe que se formou no programa conta que é possível aumentar ainda mais este número, com alguns parâmetros e operações para melhorar a funcionalidade. Isso é produtividade e diminuição de custos, coisas que a gente procura no dia a dia, principalmente nessa fase de pandemia”, diz Fábio Leal, presidente da Mineração São Judas. A empresa, que passou por mudanças no setor de amoagem, ensacamento e estocagem dos produtos minerais, está em pleno funcionamento.

Acho muito importante a participação de programas como o Brasil Mais pois é notório que, quando você está lá na indústria vendo o processo, pode ver, mas não consegue enxergar. Quando uma pessoa estudada e identificada com a mudança das operações para o aumento da produtividade entra na sua fábrica, consegue enxergar todos os erros que você não enxerga por estar acostumado com o processo.

Fábio Leal

Presidente da Mineração São Judas

A participação dos colaboradores da indústria também foi fundamental para a obtenção do resultado. “Hoje todos os colaboradores na firma têm uma nova cabeça e, pensando em produtividade, isso é muito importante, porque mostra o propósito de toda a equipe. O programa nos trouxe ótimas referências e ótimos resultados, a equipe é muito bem selecionada, orientada”, orienta Leal.

Para saber mais sobre o programa acesse o  site do Senai no Paraná

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Crédito mais caro no Brasil exige cautela

Com Selic e IOF em alta, especialista lista cuidados antes de decidir por um empréstimo

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por Patrícia Gomes

“Ano passado, diante da crise inicial da pandemia, buscar recursos para capital de giro foi a única alternativa para algumas empresas conseguirem arcar com as despesas básicas e manterem suas portas abertas. Agora, mesmo com a retomada gradual das atividades, alguns setores não tiveram a recuperação esperada. E, mesmo assim, muitos gestores ainda relutam em buscar crédito novamente por conta dos juros altos.

João Batista Guimarães

especialista do Núcleo de Acesso ao Crédito do Sistema Fiep

A taxa básica de juros (Selic) em alta, operando atualmente em 6,25% ao ano, mas com previsão de chegar a 8% até dezembro, e o reajuste das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), anunciado pelo Governo Federal, tornaram a busca por crédito no Brasil um desafio ainda maior para os empresários. Juntas, as duas medidas tornam o acesso a recursos em bancos e instituições financeiras cada vez mais inviável, principalmente para os financiamentos de longo prazo. Isso porque ambas encarecem o custo de captação de dinheiro. O especialista do Núcleo de Acesso ao Crédito do Sistema Fiep (NAC), João Baptista Guimarães, avalia que o momento é de cautela para o industrial paranaense.

Ele explica que não é só a taxa básica de juros alta que impacta no custo final de um empréstimo. Outros tributos, encargos e despesas decorrentes de operações financeiras também geram valores adicionais ao tomador. Um dos principais é o spread bancário, que é a diferença entre a taxa cobrada pelo banco e a taxa real de captação do dinheiro. No spread estão embutidos custos como manutenção da estrutura física, funcionários, o lucro que será gerado e o risco de inadimplência.

Os bancos também pagam tributos e o valor do spread cobre esses custos, como Imposto de Renda, PIS (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), além do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). “No fim das contas, a falta de concorrência entre os bancos no Brasil também contribui para essa conta alta”, destaca Guimarães.

Outro fato que aumentou ainda mais o custo do crédito no Brasil foi a recente elevação da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que para as empresas saiu de 1,5% para 2,04%, e, para pessoas físicas, de 3% para 4,08%. “A medida encarece ainda mais o crédito com impactos no cheque especial, no cartão de crédito e nos empréstimos”, informa o especialista.

Para as micro e pequenas empresas, mesmo opções do mercado com juros mais baixos e prazos maiores para começar a pagar, como o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), do Governo Federal, estão menos atrativos agora do que estavam no ano passado. Embora o prazo tenha aumentado de oito para 11 meses, a taxa de juros acompanha a Selic (6,25% ao ano), com acréscimo de mais 6%. Em 2020, o valor acrescido era de até 1,25%.

Na Fomento Paraná, existem condições diferenciadas para micro e pequenas empresas, com taxas a partir de 0,70% ao mês para capital de giro, com prazo de até cinco anos. Também há opções a partir de 0,63% ao mês para investimentos e aquisição de máquinas e equipamentos com prazo que pode chegar a 10 anos.

Mesmo diante da necessidade de buscar recursos, o especialista do NAC orienta os industriais a esgotarem todas as possibilidades de recuperar o equilíbrio do caixa antes de recorrerem aos empréstimos. Isso pode evitar que inviabilizem o negócio por endividamento.

Confira os cinco passos para observar antes de recorrer aos bancos:

  • Organizar as finanças da empresa: fazer boa gestão dos recursos, controlando fluxo de caixa com ajuda de ferramentas de análise e controle financeiro.
  • Recorrer ao autofinanciamento, buscando recursos dentro da própria empresa antes de tomar empréstimos. Isso pode ser feito ao otimizar custos operacionais, com redução de desperdícios, melhor gestão de estoques, ao utilizar venda de ativos ociosos, negociando preços e prazos de pagamento com fornecedores e clientes, adotando políticas de incentivo para o pagamento antecipado e reinvestindo o lucro da empresa, além de buscar aporte dos sócios.
  • Montar um plano de financiamento, que deve conter o valor total do financiamento e seu detalhamento por itens financiados, a que se destinam os recursos. Priorizar créditos de longo prazo, que geralmente tem condições melhores e são mais baratos.
  • Pesquisar o mercado e buscar instituições que ofereçam as melhores condições para sua necessidade de crédito. Além do próprio banco que a empresa tem relacionamento, ouvir bancos de desenvolvimento, agências de fomento, fintechs e cooperativas de crédito.
  • Ficar atento a prazos e documentos necessários e estar com todas as certidões exigidas em dia e com a documentação contábil atualizada para agilizar o processo de financiamento.

*** A consultoria do NAC é uma contrapartida da Fiep ao industrial paranaense e não tem nenhum custo. Mais informações podem ser obtidas no site www.fiepr.org.br/credito , pelo e-mail nacpr@sistemafiep.org.br.

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Indústria do Paraná e países árabes

Para apresentar as características da indústria do Paraná, a Fiep integrou a comitiva paranaense que esteve nos Emirados Árabes

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por Rodrigo Lopes

Tivemos reuniões muito produtivas com empresários árabes e também com fundos soberanos, que têm muito interesse em investimentos na América Latina, em especial no Brasil. Creio que teremos resultados tanto no aumento de negócios de nossas empresas quanto na atração de investimentos.

Carlos Valter Martins Pedro

Presidente do Sistema Fiep e integrante da comitiva

Com o objetivo de prospectar novas oportunidades para o setor industrial, durante a missão a Fiep firmou um acordo de cooperação com a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB). Pela parceria, que envolve ainda a Invest Paraná, agência de promoção comercial do governo do Estado, está prevista ainda a instalação de um escritório nos Emirados Árabes para auxiliar empresas interessadas em realizar negócios na região. Tanto o acordo quanto a instalação do escritório são ações sem custos adicionais para a Fiep.

O acordo foi firmado no dia 12 de outubro e assinaram o documento Carlos Valter e o presidente da CCAB, Osmar Vladimir Chohfi. A integração entre as entidades tem o foco principal na identificação de oportunidades para alavancar o comércio e os investimentos em parceria entre empresas árabes e paranaenses. “A Fiep busca sempre parcerias que gerem ações concretas”, disse Carlos Valter. “A partir de agora, vamos dar sequência a este trabalho identificando as possibilidades de negócios entre empresas paranaenses e dos países árabes. Já somos fornecedores de produtos alimentícios, mas queremos avançar muito mais nessa relação”, acrescentou.

A CCAB completa 70 anos em 2022 e projeta crescimento na relação comercial entre os países do Golfo Pérsico e o Brasil, tendo o Paraná como uma região estratégica. “O Paraná é um dos principais responsáveis pela segurança alimentar do mundo árabe”, afirmou Chohfi. Só em 2020, foi o quarto estado brasileiro que mais exportou para este mercado, atingindo a marca de US$ 1,32 bilhão. “Essa missão internacional é muito importante porque apresenta o Paraná a investidores e empresários do mundo árabe, um mercado muito promissor para o Brasil e especialmente para o Paraná”, completou.

Escritório em Dubai
Também dentro dessa parceria, foi anunciada a abertura de um escritório conjunto da Invest Paraná, agência de promoção comercial do governo do Estado, e da Fiep em Dubai. Ele deverá ficar na sede da Rockland Group, empresa com atividades em mais de 15 países. A ideia é que um representante do Estado trabalhe para dar apoio a empresas paranaenses que queiram fortalecer suas relações comerciais na região.

foto: Governo do Paraná

Para Carlos Valter, o escritório facilitará contatos de industriais paranaenses com potenciais parceiros comerciais ou de investimentos não apenas dos países árabes, mas também do mercado africano. “Essa é uma oportunidade de chegar nesses investidores, através do mundo árabe. Nós temos diversidade no polo industrial e podemos usar essa oportunidade para diversificar nossos negócios”, declarou.

Business Experience
A assinatura das parcerias ocorreu durante o segundo dia do Paraná Business Experience, em que foram realizados vários painéis para apresentar a investidores alguns dos setores estratégicos da economia paranaense. Também foram promovidas rodadas de negócios entre empresas do Paraná e de países árabes.

No mesmo dia, o presidente da Fiep foi o responsável por uma palestra sobre a indústria automotiva do Estado. Ele destacou que o Paraná é o segundo principal polo do setor no país, com capacidade instalada para produção de mais de 5 milhões de veículos ao ano. Atualmente, as mais de 600 empresas do segmento empregam quase 40 mil trabalhadores. Em 2020, foram responsáveis por US$ 1,3 bilhão em exportações.

foto: Governo do Paraná

Carlos Valter destacou, ainda, a infraestrutura instalada no Paraná para apoiar essa indústria. Em especial, o novo terminal de veículos no Porto de Paranaguá e a grande capacidade de geração de energia elétrica do Estado. Ressaltou, ainda, a posição geográfica estratégica do Paraná, próximo aos principais mercados do Brasil e do Mercosul. Além disso, apresentou a estrutura que o Sistema Fiep, por meio do Senai, possui para auxiliar o desenvolvimento da indústria automotiva paranaense.

Marketplace
Além disso, o Paraná BX disponibiliza um marketplace para que participantes do evento e outros investidores estrangeiros possam conhecer mais sobre empresas e entidades paranaenses integrantes da missão. O Sistema Fiep faz parte da ferramenta, apresentando sua atuação e os serviços que oferta ao setor industrial. “A ferramenta pode ajudar o empresário a ter acesso a todos os serviços que o Sistema Fiep presta. Foi uma iniciativa extremamente positiva do governo a criação desse marketplace”, afirmou Carlos Valter. Após o encerramento da missão, o marketplace seguirá ativo, podendo ser acessado por qualquer investidor interessado em realizar negócios no Paraná.

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Inovar é (mais do que) preciso

É importante lembrar que inovar é mais simples do que parece: é se conectar, trocar ideias, falar sobre diversos assuntos

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por Fabrício Luz Lopes

A invenção da roda para os meios de transporte, da máquina de impressão para democratização do acesso ao conhecimento, do nylon para a indústria da moda, do primeiro computador e da rede de computadores – a internet, para a evolução tecnológica. A criação das vacinas que, como vimos recentemente, podem mudar uma sociedade. Essas e tantas outros feitos marcam a história da inovação no mundo, mas a verdade é que inovar vai muito além dos grandes marcos, está em todos os lados e pode começar em qualquer ambiente – na indústria, laboratórios ou dentro de casa.

Fabrício Luz Lopes, gerente executivo de Tecnologia e Inovação do Sistema Fiep

No Dia Nacional da Inovação, comemorado em 19 de outubro, é importante lembrar que inovar é mais simples do que parece: é se conectar, trocar ideias, falar sobre diversos assuntos e depois implementar essas possibilidades levantadas na troca de conhecimento. Quando trazemos essas premissas para o mundo corporativo, a prosperidade vem junto: com novos produtos, processos melhores, serviços mais eficientes e baratos. Vale ressaltar que também é muito importante a diversidade dentro de uma equipe. Diferentes realidades trazem novos pontos de vista e consequentemente uma troca muito mais rica.

É preciso desmistificar e entender que a inovação não está apenas em tecnologias de ponta, produtos revolucionários e mudanças gigantes na sociedade. A inovação está nos ajustes na linha de produção, em adquirir um outro olhar, em repensar a estratégia. Está, também, nos detalhes – detalhes que fazem toda a diferença. A história mostra que a inovação traz prosperidade, qualidade de vida, difusão de informações e amplia a possibilidade de conexões entre as pessoas. E este é um ponto chave para a inovação: quanto mais as conexões acontecem, maior e mais rápida é nossa capacidade de inovar.

Empresas que inovam crescem, contratam mais, mudam o contexto das cidades ou até do mundo. Empresas que inovam saem na frente e sobrevivem a diferentes mercados. A partir da pandemia novos modelos de negócios surgiram, processos produtivos foram revistos e a gestão de pessoas teve que se reestruturar, modificando a maneira como a indústria produz e entrega seu produto no mercado. A adaptação a novas realidades, que sempre foi algo importante, passou a compulsória para a sobrevivência e competitividade das empresas.

Quando a indústria se adapta e volta a produzir, a atividade econômica avança. Mas, é possível acelerar essa retomada, adotando medidas que estimulem um crescimento mais significativo e sustentável. Para isso, as empresas podem e devem adotar soluções tecnológicas que têm, cada vez mais, impactado a produtividade e o desenvolvimento de novos produtos.

A nossa sociedade, e consequentemente nossas organizações, tem passado por um processo massivo de digitalização. Todas as ações humanas de interação na internet, ou com os mais diversos dispositivos eletrônicos e plataformas; os processos organizacionais ou de máquinas e equipamentos e inúmeras outras ações humanas têm se transformado em dados brutos, disponibilizados dentro das organizações ou em plataformas digitais cada vez mais abertas. Fenômeno este popularmente conhecido como Big Data.

A Indústria 4.0 traz a incorporação da digitalização à atividade industrial. Observamos, porém, que boa parte dos investimentos em tecnologia da informação ainda são de caráter de infraestrutura: transacionais para automação de processos e informacionais para um maior controle interno de informações. No entanto, ainda são pouco estratégicos, ou seja, orientados à obtenção de vantagem competitiva. O desafio, agora, é integrar a digitalização dos processos industriais com a gestão estratégica da organização, sendo a tecnologia um meio para atingir os objetivos de negócios.

A ciência, a tecnologia e a inovação demonstraram, na pandemia, serem primordiais para o futuro, não apenas dos negócios, mas para o bem-estar da sociedade. Cada vez mais o campo competitivo das organizações será das que pesquisam e desenvolvem novos produtos e mercados com plataformas tecnológicas e algoritmos que melhor combinam a habilidade analítica humana dos dados com o poder computacional da tecnologia da informação. Temos muitos desafios pela frente, mas entendemos que a tecnologia é a grande aliada na transformação e na sustentabilidade dos negócios no futuro.

** Texto originalmente publicado na Gazeta do Povo em 19/10/2021.

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Vertys Solar Group ganhou mais de 60% de produtividade

Programa de produção enxuta auxilia segmento industrial a rever gargalos e mentalidade

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Programa de produção enxuta auxilia segmento industrial a rever gargalos e mentalidade 

por Mayara Duarte

A Vertys Solar Group foi uma das participantes do Brasil Mais. Lucas Malacarne, analista de qualidade da empresa, conta que a participação no programa foi fundamental para o crescimento da indústria. “Quando a gente fechou o acordo, entramos de cabeça no negócio e achamos muito válida a experiência. Tivemos um ganho mais de 60% de produtividade com o programa, isso sem contratar ninguém. Foi basicamente mudando o processo, alterando, balanceando internamente. Abrimos as portas para reduzir desperdício, então começamos e enxergar o projeto com outros olhos”, avalia.  

Com a participação, a Vertys Solar Group teve modificações no layout da área de processos, separação, medição, produção, alterações no processo produtivo, como fluxo divisão das atividades, padronização e mensuração. “Um dos pontos que mais melhorou foi a mentalidade: ou seja, todos aqui na equipe, desde o funcionário da produção até a direção, entraram com uma mentalidade para fazer a mudança e viram os resultados depois. Toda equipe se engajou no processo, topou as mudanças e no final os resultados foram excepcionais”, conta Malacarne.  

Antes do Brasil Mais, o recorde de separação de pedidos no decorrer de 2021 e 2020 da empresa foram de 245 pedidos separados mensalmente. No mês de agosto, após o programa, a equipe conseguiu separar mais de 396 pedidos. “Isso financeiramente vai dar uma rentabilidade de mais de 100 mil reais no ano, em torno de R$ 9/10mil por mês. Foi um resultado fantástico que a gente teve em um projeto rápido, de dois meses. Mais de 60% de aumento da produtividade e mais de R$ 100 mil de economia no ano com mão de obra”, conclui. 

As inscrições podem ser feitas no site do Senai no Paraná ou pelo e-mail brasilmaispr@sistemafiep.org.br . 

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